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Jornal Futsal
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SUPERTAÇA DE ITÁLIA
Espectáculo no Arzignano vs Prato!
A 4 de Setembro, em Arzignano, começou a nova temporada oficial italiana. E para arranque, uma partida melhor que esta, era impossível!
Se nos lembrarmos do ano passado, quando a Supertaça foi uma partida sonolenta entre Prato e Lázio, posso garantir que este ano tudo mudou. As previsões desta final tinham um vencedor garantido: o Arzignano. Este clube conquistou o último campeonato italiano. Todos estavam seguros que o Arzignano ia ganhar sem problemas perante o "pobre" Prato, que havia perdido os melhores jogadores e pretende reconstruir uma equipa com jovens. Efectivamente, o Arzignano ganhou, mas sofreu muito! Nada foi fácil, antes pelo contrário.
Foi um partidazo e, surpreendentemente, o Prato foi melhor que o Arzignano, chegando às grandes penalidades, onde apenas um erro condenou os pupilos de Jesus Velasco. O Arzignano teve mil dificuldades, porém há igualmente a recordar que jogadores como Vander Carioca (Miró Martorell) e Rodrigo (ECB/São Bernardo) não estiveram disponíveis por falta do certificado internacional e Gabriel só chegará depois do Mundial, em China Taipé. Ao Prato também faltaram alguns jogadores, mas tem o melhor guarda-redes do momento da "Série A": Alexandre Feller. O brasileiro foi mesmo o melhor em campo, juntamente com Caio (guardião do Arzignano).
Como já referi, o Prato jogou melhor do que o Arzignano. Os jovens "oriundi" (brasileiros naturalizados italianos) de Jesus Velasco não têm receio de enfrentar quem quer que seja, jogando com muita inteligência. O Prato pode mesmo vir a ser a revelação da nova temporada, depois de todos os terem dado como "mortos".
A primeira parte acabou com um empate a um. O Prato abriu o activo por Daniel Viapiana, mas o Arzignano empatou por intermédio do seu "artilheiro" Fabrizio Amoroso.
A etapa complementar foi um espectáculo. O Prato jogou num nível altíssimo: rápido e eficaz. O resultado deste "milagre" de Velasco reflectiu-se em dois golos de vantagem: um penalty de Corsini e um golo de puro espectáculo do brasileiro Tilico. Que Prato!
Contudo, o Arzignano, que não estava no seu melhor dia, tem verdadeiros craques da modalidade e foram eles que inverteram a partida. Da marca da grande penalidade, muito discutível, Sandrinho reduziu e o empate a três surgiu por Adriano Foglia, depois de uma grande jogada de Sandrinho (campeão do Mundo em Espanha 96, juntamente com o seu companheiro Márcio).
Chegados ao final, houve que jogar o prolongamento, tão espectacular como o resto da partida. Tinico marca para o Prato, que parece perto do triunfo final. Porém, assim não foi! O experiente guarda-redes Caio avança no terreno e marca um grande golo, para delírio total do público local.
Igualdade a 4, é tempo de grandes penalidades. A partir de então, tudo pode acontecer. Apenas e só um erro - de Alex Strapazzon - condena o Prato e oferece o primeiro título da época ao Arzignano.
Mas senhores, que partida!
O futsal é isto: ESPECTÁCULO PURO. E é por isto que somos loucos pelo futsal.
Luca Ranocchiari
www.futsalplanet.com
Roma - Itália
FICHA DE JOGO
Supertaça Italiana 2004/2005
4/Setembro/2004
20.30
Recinto: PalaTezze,Arzignano (Itália)
Arzignano Grifo - Prato c/5 9-8 (pen) - (4-4; 3-3; 1-1)
ARZIGNANO GRIFO: Caio, Luciano, Pozza, Panciera, Marcio, Bachega, Sandrinho, Amoroso, Foglia, Dobrosayljevic, Bragaglia
Treinador: Lucio Solazzi
PRATO: Alexandre, De Assis, Busato, Viapiana, Alex, Restivo, Corsini, Schurtz, Tilico, Gusso, Martino
Coach: Jesus Velasco
Marcadores:
8' Viapiana (0-1)
11' Amoroso (1-1)
22' Corsini (pen) (1-2)
28' Tilico (1-3)
29' Sandrinho (pen) (2-3)
30' Foglia (3-3)
47' Tilico (3-4)
49' Caio (4-4)
Penalties:
Corsini - GOAL (4-5)
Marcio - GOAL (5-5)
Alex - SAVED (5-5)
Luciano - GOAL (6-5)
Viapiana - GOAL (6-6)
Foglia - GOAL (7-6)
Shurtz - GOAL (7-7)
Sandrinho - GOAL (8-7)
Alexandre - GOAL (8-8)
Caio - GOAL (9-8)
Árbitros: Scatena e Del Tutto
Cartões Amarelos: Schurtz, Feller, Viapiana (P), Amoroso (A)
Assistências: 1000
Vencedor da Supertaça Italiana:
Arzignano Grifo
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Segunda-feira, Setembro 20, 2004
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20.9.04  |
PROFISSIONALISMO NO FUTSAL
- O que é profissionalismo?
O profissionalismo está, directamente, relacionado com o trabalho. São compromissos, são obrigações como profissionais de futsal que temos, como teríamos em qualquer outra empresa. O cumprimento dos horários, o planeamento dos trabalhos.
Relativamente aos jogadores, eles têm de ser profissionais nas atitudes. Ou seja, devem ter consciência das regras que são necessárias para que se tenha uma vida saudável, uma vida regrada. Não é o facto de se treinar duas vezes por dia que torna um atleta profissional. Tem de se ser profissional a partir dos hábitos que se criam.
Uma das coisas que gera polémica no futsal português é que se dizem profissionais por receber ordenados como tal e pelo facto de treinarem duas vezes por dia. Para que as coisas funcionem, toda a estrutura tem de ser profissional. Todas as pessoas têm de se dedicar inteiramente àquele trabalho. Os directores preocupam-se com a logística, os treinadores com a execução dos trabalhos de treino técnico/táctico/físico, os técnicos de equipamentos têm de colocar todos os materiais necessários à disposição, o departamento médico preocupa-se com a fisioterapia preventiva, com a fisioterapia de recuperação e com a parte nutricional, quando não há nutricionistas. Neste aspecto, há falhas graves na nutrição dos atletas. São poucos os que têm cuidado com a alimentação. Isto é muito importante dentro do contexto profissional. Todos têm de ser moldados para o trabalho para que haja sucesso.
- Como está em Portugal?
Opinando pela minha realidade que é o Benfica, temos de nos concentrar única e exclusivamente no trabalho para não aparecerem "furos". Terá de aparecer toda uma estrutura profissionalizada que permita considerar um clube profissional. Em Portugal, o grande problema, a grande questão reside na formação dos dirigentes, dos elementos das equipas técnicas e dos jogadores. Se houver uma formação desportiva, o trabalho será muito facilitado, pois todos sabem o que é importante. Há que saber a forma de estar no futsal. Um dos maiores problemas é a falta de cultura desportiva.
- Comparação com o Brasil
No Brasil, para se trabalhar como treinador profissional de futsal, há que ter uma formação académica em Educação Física. Todas as pessoas envolvidas num clube são profissionais. A nível das equipas técnicas surgem, para além dos técnicos profissionais, estagiários de Educação Física cedidos pelas Universidades para trabalharem na formação. As crianças vão aprender uma base, uma formação desportiva, uma cultura desportiva acima do que se verifica cá em Portugal. Porquê? Porque as pessoas que trabalham com elas já têm toda essa formação das universidades e transmitem para elas.
As pessoas que estão à frente dos escalões de formação já sabem o que hão-de fazer com as crianças. Quando adultas, estas sabem o quão importante é ter uma vida regrada, uma vida saudável. Dão importância ao repouso depois do trabalho e têm noção exacta do trabalho a realizar em cada sessão de treinos. Na formação em Portugal, há demasiadas pessoas envolvidas que não têm especialização alguma. Não é o que se aprende num curso de Nível 1 que se vai conseguir trabalhar em metodologias científicas de treino, daí que por vezes se vejam aberrações que fazem às crianças sem terem noção do que realmente está correcto.
- Implementar profissionalismo em Portugal
Para que todas as equipas fiquem profissionais, há que fazer o que disse relativamente à comparação com o Brasil. Há que apostar em profissionais capazes, ir às universidades buscar estagiários capacitados para desenvolver tarefas nos escalões de formação, sempre com um coordenador, supervisionando todos os trabalhos ao mínimo detalhe. Depois, aos poucos, consciencializar os directores para a importância de um trabalho profissional na estrutura de um clube. Há pessoas com cursos na área de gestão desportiva, que podem estar numa direcção. Há a possibilidade de criar convénios com Universidades, para chamar jovens profissionais de Educação Física para a formação.
- Finanças na questão profissional
A parte financeira é fundamental dentro de todo o esquema de profissionalismo. Há que ter pessoas que se dediquem inteiramente àquela causa, mas sem nunca esquecer que aquela actividade é o seu meio de subsistência. Se os clubes não têm condições de dar às pessoas o retorno financeiro, a implementação do profissionalismo fica mais complicado. Então, os clubes têm de desenvolver projectos de marketing para ter dinheiro disponível e assim manter a estrutura. Há igualmente que saber vender/explorar a imagem do clube, para ter conseguir fundos e manter profissionais de qualidade ao seu serviço. As lacunas começam, quando não há dinheiro.
Assim, o clube tem de criar mecanismos para dispor de verbas. Depois de as ter, há que contratar pessoas especializadas dentro de cada sector de trabalho.
- Obrigações de quem é profissional
No meu ponto de vista, as obrigações partem dos regulamentos das próprias empresas. No fustal não é diferente. No Benfica temos um regulamento interno com vários tópicos importantes. A principal regra é todos cumprirem com as normas da empresa. Não nos podemos preocupar só com as quatro horas de treino, há que cuidar da imagem, ter cuidados com a alimentação, com o repouso entre outros aspectos fundamentais. A dimensão de um clube como o Benfica é impressionante. Nas deslocações que fazemos vêm inúmeros miúdos pedir autógrafos, conversar connosco. Eles têm nos jogadores uma imagem, espelham-se neles, pois eles são os seus ídolos. Em Bragança foi demais. Sempre havia gente a ver treinos, pedir autógrafos, fotos, então há que saber conviver com isso. Tudo isso faz parte de um profissional, não é só jogar a bola, há que dar exemplos.
Um abraço a todos,
Adil Amarante
Treinador do Sport Lisboa e Benfica
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Quarta-feira, Setembro 15, 2004
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15.9.04  |
FORMAÇÃO NO FUTSAL
Investimento a médio/longo prazo
Quando o Ricardo Santos me pediu para colaborar com um artigo de opinião para a sua blog, não hesitei, primeiro, por ser uma oportunidade de manifestar a minha opinião, e segundo por ser para um amigo que tem realizado um excelente trabalho em prol da nossa modalidade, e não só.
Assim, gostaria de opinar sobre um assunto que me é muito caro, a formação desportiva, e em particular a formação no futsal.
1º - Quando falamos em formação devemos ter a noção clara do que se trata, isto é, a formação é o acto, efeito ou modo de formar, que por sua vez, consiste em dar forma a, conceber: formar um projecto; instruir, educar amoldar: formar o espírito.
De acordo com estas definições, entendo a formação no futsal como sendo :
"O acto de CONCEBER, em que o futsal se assume como um meio para atingir um determinado fim - O DESENVOLVIMENTO INTEGRAL DA CRIANÇA/ADOLESCENTE"
Parece-me que esta noção, na maioria das vezes, está pouco esclarecida, ou pior, é desconhecida e/ou desvalorizada por parte dos agentes desportivos, RESPONSÁVEIS pela mesma.
2º - A formação no futsal não deve nem pode ser entendida em sentido estrito, mas sim em sentido lato, isto é, o processo de formação envolve diversos recursos, dado que, uma boa ou má formação desportiva depende de uma boa ou má gestão desportiva (Planear, organizar, dirigir e controlar), assim:
a) Recursos Humanos: É fundamental ter as pessoas certas nos lugares certos e nos locais certos, isto é, em qualquer projecto é necessário assegurar a competência das pessoas/profissionais que possam garantir o sucesso do mesmo;
b) Recursos Financeiros: É, sem dúvida um dos factores que condiciona e influencia de forma significativa qualquer projecto;
c) Recursos materiais: Prende-se fundamentalmente com as condições que devem ser disponibilizadas para o bom funcionamento das actividades, ou seja, pavilhão, bolas, coletes, etc...
Todos os recursos são importantes, mas por vezes uns conseguem compensar os outros, isto é, à primeira vista os recursos financeiros pelo seu peso, serão aqueles que mais influência tem num determinado projecto. Mas, quer dizer-vos por experiência própria e pelo facto de estar envolvido num projecto ambicioso, mas realista, conhecido por Projecto Futsal XXI da AAC-OAF, que existe sempre uma excepção à regra. De facto, o dinheiro é fundamental, mas mais importante, são as pessoas, porque são as pessoas que fazem a diferença, são as pessoas que com o seu carácter, responsabilidade, empenho, sacrifício, competência, lealdade, liderança, conseguem dar corpo e conseguem criar uma determinada imagem de um projecto, compensando e ultrapassando qualquer dificuldade que se lhe deparem. Neste momento, essas pessoas trabalham todos os dias para que este projecto chegue a bom porto, e aproveito para manifestar-lhe todo o meu apreço e reconhecimento por aquilo que tem feito até hoje.
Falando das pessoas, muitas vezes apenas recai sobre os agentes desportivos (treinadores, directores, enfermeiros, massagistas, etc...), toda a responsabilidade pela formação da criança/adolescente, esquecendo-nos do papel dos Pais que se revela, nesta fase tão ou mais importante para a sua realização. A formação desportiva deve ser acompanhada por uma educação adequada que só os Pais lhes podem facultar. Esse aspecto, geralmente, influencia grandemente a qualidade da formação da criança/adolescente, havendo por vezes a necessidade de um trabalho de equipa entre os Pais e o Treinador (enquanto pedagogo).
3º - Sou defensor que o processo de preparação de um jovem não deve dirigir-se para um estado de especialização prematura; mas sim, para uma preparação planeada e sistematizada racionalmente, em harmonia com o processo de desenvolvimento da criança/adolescente. Antes de atingir as acções colectivas completas e um sistema de jogo bem definido, os jovens praticantes devem conhecer a maior parte dos princípios básicos do jogo, tanto no plano ofensivo como no defensivo, isto é as etapas iniciais constituem a formação e a preparação para futuro, e o treino e a competição os meios dessa formação e não as formas de obtenção de rendimentos imediatos.
O Processo de ensino/aprendizagem deve adoptar uma metodologia fundamentada na apropriação consciente e racional das situações propostas favorecendo a criatividade; deve-se perfilhar uma linha de acção que leve o praticante à aquisição de "aptidões de decisão" que lhe permita "escolher para agir" em diferentes ocasiões, equacionando e seleccionando as acções adequadas no decorrer do jogo.
Em jeito de conclusão, a formação das nossas crianças/adolescentes não pode ser tratada com ligeireza e muito menos com facilitismos, mas ao invés devemos pauta-la por elevados níveis de competência e rigor. Deve ser encarada pelos nossos dirigentes como um investimento para o futuro (médio/longo prazo) e não como uma obtenção de resultados imediatos e efémeros. Mas também é preciso dizer que normalmente, onde existe qualidade e condições mínimas de trabalho, os resultados sempre aparecem, a formação da AAC-OAF é disso um exemplo, que na minha humilde opinião deve ser seguido.
Uma boa formação depende decisivamente da competência de quem a dirige, daí defender a formação contínua dos treinadores responsáveis por esta árdua tarefa, e da selecção criteriosa por parte dos dirigentes em profissionais que lhes possa dar alguma garantia quanto ao trabalho que irá ser desenvolvido com aquele jovem, que um dia apareceu com o pai ou a mãe, e que gostava de "jogar à bola".
Para todos os treinadores das camadas jovens, um abraço e votos de uma boa época desportiva.
Arlindo Matos
arlindomatos@sapo.pt
Treinador Futsal Nível 1
Coordenador da Formação da AAC-OAF
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Quarta-feira, Setembro 15, 2004
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Futsal da Associação Académica de Coimbra
RENASCER DAS CINZAS
Solicitou-me o Ricardo Santos que escrevesse um artigo de opinião sobre o projecto do futsal da AAC e do projecto que coordeno desde as últimas dez jornadas da época 2002-2003. Mas para falar do projecto, do sucesso da última época, que recolocou a Académica na 2ª Divisão Nacional torna-se imperioso falar do que era a Académica quando chegámos.
Era uma Académica que ia fechar as portas, com 5 jogadores da equipa sénior, 15 jogadores dos juniores do futebol de 11 para escolher alguns para terminar a época e 7/8 jogadores da equipa de futsal júnior.
A equipa, comigo, já ia no terceiro treinador nessa época e alguns dos principais jogadores do plantel tinham deixado de jogar. Era uma equipa sem auto-estima e a maior parte dos jogadores tinham várias expulsões ao longo da época, numa equipa que se pautava pela indisciplina e que nas suas últimas duas épocas, salvo erro, lutou para não descer até à última jornada.
Os directores, apesar da sua boa-vontade e persistência em levar o "barco a bom porto" não sabiam como e diziam-me que o melhor era mandar a maior parte dos jogadores embora e ir buscar outros.
Tínhamos uma equipa desfeita e indisciplinada. Quando no final desta época felizmente de sucesso, vejo algumas pessoas que por cá passaram, colocarem-se em bicos dos pés para dizer que tiveram alguma coisa a ver com o que esta equipa fez esta época, farto-me de rir, já que apenas encontrámos um grupo de jogadores que de equipa nada tinha, sem modelo de jogo, sem muitos deles dominarem os princípios fundamentais do jogo. Jogavam como saía e a mais não eram obrigados. Esta era a realidade, nua e crua, doa a quem doer. Custe ouvir a quem custar.
Acredito no trabalho e na minha capacidade e da minha equipa técnica, mas não somos milagreiros. Doze pontos em vinte jogos eram o que havia quando entrámos. Fizemos salvo erro vinte e dois pontos nos dez jogos que faltavam. Com essa média no resto da época a Académica teria subido à 1ª Divisão. Não foi suficiente, mas ganhámos o embrião de uma equipa e a nova época começou logo aí a ser preparada, já que nos mantivemos a treinar e a ganhar tempo até Julho. O jogo com o Sporting de final de época (em que perdemos por 3-1) deu-nos indicações que estávamos no bom caminho.
Sabia que era arriscado vir para a Académica naquela altura, como foi, mas também sei que esta Académica tem potencial humano, que com a persistência e a capacidade da equipa técnica poderíamos dar a volta. Liderança, disciplina, organização, trabalho e competência foram os parâmetros introduzidos. Acreditámos nos jogadores que tínhamos, nos que quiseram voltar e acreditar no projecto, nos que tinham subido dos juniores, nos que fomos buscar aos distritais ou em jogadores que já conhecíamos. Com todos, equipa técnica (treinadores e massagista), dirigentes que resistiram, seccionistas e jogadores, formámos uma equipa no verdadeiro sentido da palavra. Ao longo deste tempo, habituei-me a respeitar a competência do Rogério, o esforço do Júlio e do Simões, a competência dos meus colegas treinadores, Arlindo, Hugo, Paula, Victor, Sol e Felipe, recentemente reforçados pelo Bruno, Albano e João Simões. Habituei-me a ver para além dos problemas, o esforço dos dirigentes, Artur Cordeiro, Fernando Freire e Miguel Fonseca para tentarem resolver problemas. A Académica cumpriu escrupulosamente as suas obrigações para com os seus praticantes e isso nos dias de hoje é importante. Dá credibilidade. Habituei-me a ver e a respeitar (mesmo quando não concordam com as opções do treinador) um pequeno grupo de amantes do futsal da Académica, desculpem-me os restantes, encabeçados pelo Ladeira.
Pelo meio ficaram problemas e conflitos que resolvemos e demos a cara. Na Académica tem que existir competência para que todos acreditem no projecto. As equipas não podem estar entregues a gente sem qualificação. Nem todos cabiam neste trabalho e nunca estiveram em causa as pessoas em si, mas sim a sua competência para a função, fossem dirigentes, treinadores ou jogadores. Estamos a meio de um projecto e disponíveis para o levar até ao fim. Com as pessoas em que acreditamos.
Hoje somos todos de facto uma verdadeira EQUIPA, onde emerge um conjunto fantástico de jogadores com os quais me dá um prazer imenso trabalhar e a quem eu auguro para alguns um futuro brilhante no futsal nacional.
De uma coisa eu estou certo. No dia em que sair da Académica sairei de consciência tranquila. A Académica tem mais de vinte jogadores nos seniores, com bom nível e com uma média de idades de 22 anos. Tem talentos em crescimento nos escalões de formação e equipas em todos os escalões. Os jogadores da Académica dominam os princípios do jogo, existe um modelo de jogo determinado e foi recuperada a auto-estima de toda a gente. Hoje é atraente jogar na Académica e foi recuperado o estatuto de clube mais representativo do Distrito de Coimbra. Está na Associação Académica de Coimbra provavelmente a equipa técnica mais qualificada da região, ambiciosa e competente. Gente mais ou menos jovem, dez treinadores com formação específica ou licenciados em educação física ou ambas as coisas, garantem o futuro do projecto. Saibam estimá-los, respeitá-los e dar-lhes condições de trabalho, minímas, que não somos muito exigentes.
È na Académica que um conjunto de pessoas ocupa o seu tempo livre e o que não tem livre, de segunda a domingo, dezenas de horas por semana, milhares por ano. È a nossa segunda casa, às vezes a primeira, tal o tempo que lhe dedicamos. Fazemo-lo, equipa técnica, dirigentes e jogadores na sua maioria, a troco de uma palmada nas costas que muitas vezes nem surge, mas lá continuamos todos os dias. Porque gostamos do futsal e da Académica. Por que somos todos um pouco loucos. Porque acreditamos em nós e no trabalho que somos capazes de fazer. Enquanto nos deixarem e se nos deixarem sabemos que alcançaremos as nossas metas. E os únicos que nos podem parar estão dentro de nós. Os nossos adversários da região não nos preocupam. Que sejam muito felizes. Que se preocupem com o seu trabalho e não com o nosso. Se necessitarem de ajuda que não colida com os interesses da Académica, estaremos sempre disponíveis para ajudar. Só a evolução dos outros nos fará também mais fortes.
O Projecto, como lhe chamam, são todas as pessoas que estão na Académica e aquelas que a nós se quiserem juntar e demonstrem competência para isso. São as pessoas que fazem a diferença, de preferência pessoas competentes. Os projectos, são assim pessoas que de forma organizada, trabalham para objectivos e metas comuns. É assim na Académica e em qualquer lado. Por isso mesmo o Projecto que fez a Académica renascer das cinzas tem rostos, nomes e como numa família existem problemas, conflitos, diferenças de opinião. Mas todos sabemos para onde queremos ir e por isso somos solidários entre todos, qualquer que seja o papel que cada um desempenhe. Uma equipa afinal à qual me orgulho em pertencer.
Quando afinal o Ricardo me pediu para contar o segredo do Projecto Académica, ri-me outra vez, é que ele ainda não percebeu que também ele de forma indirecta pelo seu trabalho de divulgação do futsal, tem contribuído para o seu sucesso. TRABALHO-LIDERANÇA-DISCIPLINA-ORGANIZAÇÃO-COMPETÊNCIA, é este o segredo da Académica. Ao alcance de todos aqueles que se dediquem tanto como nós.
Um grande abraço para a família do futsal, mesmo para aqueles que de vez em quando tentam denegrir a minha imagem e o meu trabalho. Também eles contribuem para nos tornarmos mais fortes e mais coesos e para me fazerem perceber que vamos conseguindo transformar alguma coisa. Senão fizéssemos nada, não se preocupariam connosco.
BOA ÉPOCA PARA TODOS!
Francisco Batista
Director-Técnico do Futsal da Associação Académica de Coimbra
posted by RICARDO SANTOS @
Domingo, Setembro 12, 2004
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12.9.04  |
Futsal em Coimbra
ACTOS E MENTALIDADES
Uma semana após ter inaugurado este espaço, com o artigo do treinador Fernando Filipe, venho expressar a minha humilde opinião relativamente ao futsal conimbricense. Muitas seriam as "estórias" que poderia contar, após 10 anos ligado ao ¿nosso¿ futsal, mas apenas tenho vontade de expressar contentamentos e desagrados recentes.
É com natural gosto e "amor ao futsal" que enveredei pelo jornalismo desportivo mais ligado a esta modalidade que tanto terá de caminhar para certificar o seu espaço junto do panorama do desporto português. Coimbra está no centro do país, mas há muito afastada dos grandes palcos do futsal nacional. Académica, Real Conchada e Vilaverdense (por ordem alfabética) estiveram ao mais alto nível, mas, progressivamente, foram caindo até à III divisão. O mesmo com muitas das equipas de Coimbra que já estiveram na II divisão e não conseguiram firmar-se.
Na minha opinião, muito do que se passou deveu-se à falta de condições mentais e não só devido à falta de apoio financeiro. Obviamente, que no actual panorama do futsal português, europeu e mundial quem não tem dinheiro, não está no topo. As grandes metrópoles concentram uma grande parte dos patrocinadores e isso, naturalmente, condiciona os investimentos dos "centristas".
Infelizmente, muitas são as pessoas que colocam os seus interesses pessoais à frente dos institucionais. De que serve ter um treinador bom, ter jogadores de qualidade (sendo esta muito subjectiva para analisar), se falta uma estrutura forte para elevar equipas ao sucesso!? Curiosamente, as maiores críticas surgem a nível distrital, onde personagens gostam de se colocar em ênfase, dando ao clube a imagem que ele transmite, muitas vezes sem ter consciência do prejuízo que pode implicar desportivamente.
Num olhar menos negros, ninguém passou indiferente à excelente prestação que as equipas coimbrãs obtiveram no último nacional da III divisão - Série B. Apenas o S. João não conseguiu a permanência, mas a Académica brilhou na caminhada de regresso à II nacional. Real Conchada (fez um excelente 3º posto), Vilaverdense, U. Chelo e Cernache garantiram uma presença no mesmo escalão para 2004/05, aos quais se juntará a UD Tocha.
Não me alongo mais nesta minha crítica opinativa. Apenas desejo que todos tenham muita sorte, independentemente dos feitios que apresentem. Contudo, que triunfem os trabalhadores, honestos e desportivamente correctos, pois como já alguém disse: "campeões não são só aqueles que terminam no primeiro lugar, mas antes aqueles que atingem os seus objectivos".
Saudações Desportivas
Ricardo Santos
Bacharel em Comunicação Social - E.S.E.C.
Colaborador desporto Diário Coimbra
Colaborador Folha de Santa Clara
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Sexta-feira, Setembro 10, 2004
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10.9.04  |
A FORMAÇÃO
O meu ponto de vista
Está a iniciar-se mais uma época, mais um ano de trabalho, de alegrias (para uns) e de tristezas (para outros), assim será no mundo do desporto, para todo o sempre. Mas a qualidade de um trabalho, independentemente das alegrias ou tristezas, pode ser bem proveitosa, ou não.
Assim, e sobretudo nas camadas de formação, o trabalho pode ser bem positivo sem se ter resultados, sobretudo nesta fase não se pode, não se deve exigir resultados desportivos (até aos juvenis, pois nos juniores já se deve exigir alguns resultados como forma de os preparar para a pressão dos seniores), deve-se acima de tudo apresentar a formação de um jogador e de um futuro homem adulto.
E isto porquê? Quando a época 2003/2004 começou e iniciei o meu percurso como Treinador de Futsal, a primeira pergunta que fiz, foi: quem esteve nas camadas jovens?
Alguns jogadores disseram-me que sim outros que eu conhecia e sabia que vinham do Futebol, disseram que não, etc¿ Quando os jogos de preparação e o campeonato começaram, logo verifiquei que o que lhes tinham pedido e feito nas camadas jovens era que houvesse resultados, pois quando um júnior chega aos seniores e não se sabe movimentar dentro do campo, não sabe ocupar o espaço, quando não está preparado e não tem paciência nem concentração para as jogadas estudadas, muitas vezes com dificuldades a nível técnico, eu pergunto: o que andaram a fazer nas camadas jovens estes jogadores?
Por isso aqui fica a minha opinião e o meu pedido a todos os quantos trabalham nas camadas jovens e sobretudo a dirigentes, que ponham gente qualificada a treinar os seus jovens, que lhes ensinem os princípios básicos do jogo, que lhes ensinem que as vitórias quando são conquistadas com trabalho, esforço e dedicação, são muito mais saborosas que aquelas que são conquistadas com batota, que lhes ensinem a serem homens, a
respeitar o adversário, o árbitro e os colegas de equipa.
Para as equipas que têm o topo da pirâmide (seniores), então as camadas jovens devem servir para ¿alimentar¿ a equipa principal, definir um estilo ou sistema de jogo para os seniores e nas camadas jovens aperfeiçoar esse sistema, mas que passe por outros sistema para que o jovem quando chega aos seniores saiba atacar bem, contra-atacar bem e defender aos 10metros, 20metros, 30metros¿ tudo dependendo do sistema e táctica que a equipa utiliza no decorrer de um jogo.
Resumindo: Camadas Jovens é sobretudo para ensinar os princípios básicos do jogo, prepará-los para jogarem em qualquer sistema táctico (sobretudo pelo que é utilizado na equipa de seniores) e também para formar os jovens para a vida adulta, para que estes respeitem todos os intervenientes no jogo, incluídas estão as próprias pessoas do clube.
Estou certo que com estas dicas e sugestões, daqui por uns anos os que ainda não fizeram isto terão a recompensa do seu trabalho.
Saudações desportivas
Fernando Filipe
Treinador: Belide
Nível 1
posted by RICARDO SANTOS @
Domingo, Setembro 05, 2004
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5.9.04  |
posted by RICARDO SANTOS @
Sexta-feira, Setembro 03, 2004
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3.9.04  |
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