| Artigos de Opinião |
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10.7.05
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Domingo, Julho 10, 2005
by RICARDO SANTOS
A temporada desportiva que agora terminou mereceu um acompanhamento especial por parte deste espaço que teve, igualmente, um acompanhamento interessante por parte de um número considerável de pessoas ligadas ao nosso futsal. Entre altos e baixos, vários momentos acabaram por marcar a longa temporada desportiva. Começam as transferências, inicia-se o campeonato, começa a perceber-se quem tem andamento para andar nos lugares cimeiros e a linha de interesse pode decrescer consoante a competitividade apresentada. No final, uns são campeões porque ficaram em primeiro, outros são campeões porque cumpriram os seus objectivos. Chega o Verão, o calor aperta e o interesse centra-se... na praia. Antes, no entanto, todos querem partir descansados. Já há jogadores contratados, técnicos que vão assumir novos desafios e outros que querem dar o melhor seguimento àqueles onde estão inseridos. Felizmente, muitos já são os que conhecem e frequentam o Jornal Futsal, mas nós queremos mais. Este espaço é para todos. Algo que até há dois anos não havia em Coimbra e que se tem tornado (ou aspira a tal) num interessante espaço de convívio e divulgação da região em todo o panorama nacional. Recebemos email's de Norte a Sul e congratulamo-nos com isso. Todavia, é a mentalidade das pessoas da bella região coimbrã que queremos melhorar. O Jornal Futsal não tem cor clubística, muito menos perfil partidário. Com isto pretende chegar a todos e quer que todos venham até nós. Os Comentários são utilizados com alguma frequência, mas nem sempre da forma mais correcta. Enviem-nos email's com Artigos de Opinião. Para tal terão de enviar os vossos dados e uma fotografia. Nós também vamos descansar um pouco, mas prometemos manter este espaço activo. Saudações Desportivas Ricardo Santos Bacharel em Comunicação Social - E.S.E.C. Colaborador desporto Diário Coimbra Colaborador Folha de Santa Clara 7.4.05
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Quinta-feira, Abril 07, 2005
by RICARDO SANTOS
Antes demais quero agradecer ao Ricardo Santos e seus colaboradores pela difusão do futsal em Portugal e no estrangeiro. Há que trabalhar para isso. Perguntaste-me sobre a utilização de brasileiros na selecção italiana e Liga. Bem, é um tema bastante difícil e delicado de ser analisado, mas vou dar-te a minha humilde opinião que é a única coisa que posso fazer. No entanto, quero ressalvar uma coisa: há que respeitar as outras opiniões, mesmo quando estas digam "maluquices" ou mentiras de "má fé". Há que respeitar, pois esse é o verdadeiro conceito de expressar opiniões. Eu tenho uma ideia muito clara da situação do futsal em Itália, do positivo e do negativo, do que já fizemos que acho que temos de fazer. Agora, a Itália é uma reconhecida "super potência" do futsal mundial: campeã europeia 2003, vicecampeã mundial 2004 e que jogou muito bem em Ostrava, apesar do resultado ter sido uma desilusão face ao que se esperava. Em futsal, todavia, não há só que olhar para os resultados no campo. Há que analisar muitos outros factores do próprio desporto. Em suma, o que é uma selecção nacional? É o vértice de um movimento desportivo, onde está representado o máximo nível desse desporto. É a expressão máxima de cada modalidade. Por isso é que todos são aficcionados pela Selecção, ou pelo menos deveriam ser. Considera-se que ao nível da Selecção Nacional se vêem os resultados do trabalho de base de todo o futsal nacional, desde as camadas jovens aos clubes da I divisão Nacional. Isso faz-nos compreender as razões da polémica em Itália. Uma selecção que utiliza jogadores "oriundi"* (10 em 14 - Caserta 2003; 12 em 14 - Taipé 2004 e 14 em 14 - Ostrava 2005 - apenas para citar as três últimas competições de grande nível). Estas polémicas têm outros exemplos de impacto menor, como em Espanha ou em Portugal, mas vamos analisar a Itália, pois é onde o fenómeno é mais visível. Antes de 1999, a Itália apenas utilizava jogadores nascidos em Itália, italianos a 100%. Claro que não tinha a possibilidade de competir com o Brasil, tão pouco estar a par a Rússia ou da Espanha (que nesta fase estava numa trajectória impressionante). O nível era o de Portugal, da Bélgica, da Holanda e de muitos países que tentavam desenvolver o seu futsal, muitas vezes com jogadores precedentes do futebol 11. Conseguir resultados, como se pode imaginar, não era muito fácil, mas havia a satisfação de saber que os jogadores eram um "produto interno", como os casos de Rubei, Quattrini e muitos outros que agora não vou mencionar. Era, nada mais, nada menos que o resultado do futsal nacional, o que a Itália era capaz de obter com as suas forças. Era uma selecção que não tinha oportunidade de ganhar, mas tinha todos os aficcionados unidos por ser italiana. Agora, como é fácil de entender, as coisas mudaram e muito. Para mim, toda a discussão sobre os "oriundi" em Itália é muito simples em tão grande complexidade. Pode solucionar-se o futuro numa só palavra: Falta de Formação. Tenho algo contra os brasileiros que me impeça de vê-los jogar na selecção? Não, certo que não. Eles são jogadores de grande nível, óptimas pessoas, profissionais de futsal e que são sempre bem vindos a Itália. Isso é algo que tem de ficar claro, porque nos últimos anos muitas pessoas têm falado sobre o problema de ter um "Brasil 2" como selecção nacional ligando isso ao racismo. Nada disso! Diria o mesmo se fosse português ao ver o Marcelinho, o Leo e o Ivan, ou espanhol a ver a selecção de Espanha com Paulo Roberto, Ferreira, Daniel e Marcelo, em particular, e outros como Edesio, Purão e Balo. Há algo de escandaloso em ver 2 ou 3 brasileiros numa selecção europeia? Creio que não. E em ver 14? Não, caso a realidade não me interesse. Porque são 1, 2 ou 14? A chave está na formação como já antes referi. A Itália tem necessidade de convocar 14 brasileiros para ganhar? Claro, porque não tem jogadores italianos ao mesmo nível, que pergunta... E porque é que não tem jogadores italianos ao mesmo nível?É claríssimo! Porque os clubes e a federação não têm um trabalho na base, nas camadas jovens. Resumindo: não tem formado jogadores. As polémicas não tomam em conta o verdadeiro problema, esse é o mal do futsal italiano. O problema não é o jogador brasileiro em Itália, o problema é a falta do jogador italiano em Itália, algo incrível... Há outra coisa de grande importância. Trabalhar com a formação é algo muito complicado e não se pode ver isto de maneira superficial. Para treinar jovens, e fazer com que sejam jogadores de futsal de bom nível, há que ter infra-estruturas desportivas, treinadores de formação (o que pressupõe a formação dos treinadores, outro problema) e, claro, dinheiro, organização e profissionalismo. Não é algo que se consige em dois dias, isso leva anos de trabalho. Não se pode pensar em ter um forte movimento no futsal sem se terem bases. Agora, isto é o futsal italiano, um "colosso" que pode cair a cada momento, porque não tem uma estrutura completa. E que mérito há em ganhar com uma selecção que tem escola brasileira e que se aproveita do trabalho dos treinadores brasileiros e onde Vinicius (Bacaro), Seco (Zanetti), Nando Grana, Foglia, Carlinhos (Montovanelli) e outros aprenderam a jogar? Não há outra opção para mim. Tem de se começar a trabalhar no futsal juvenil - o exemplo do Brasil pode ser seguido. A Itália já devia ter feito isto à 15 anos atrás, mas é melhor tarde do que nunca... Não pretendo ser crítico contra a Federação, tão pouco com o "staff" da selecção. Em Itália também temos coisas boas no futsal e organizar um movimento que não é profissional é algo bastante difícil. Mas também quero denunciar coisas que são ridículas, como a "italianização" dos nomes dos jogadores brasileiros que sempre utilizaram o seu apelido ao longo do trajecto desportivo, mas não o podem fazer em Itália. Utilizam um nome diferente para que pareçam nascidos em Itália. Isso é algo que ofende a inteligência dos aficionados italianos. Porque é que a Selecção levou 15 jogadores a Ostrava (o 15.º era o único italiano), quando na verdade só eram permitidos 14 atletas pela UEFA, assim como pela FIFA no Mundial? Isto são mentiras de baixo nível. Tudo isto contribuiu para que uma grande potência do futsal tenha perdido credibilidade e dignidade. Mas há sempre a possibilidade de melhorar, melhorar de maneira correcta que é o que se pretende. Não havia todas estas polémicas se se conseguisse entender a verdadeira importância das discussões sobre futsal. Não se trata de estar contra ou a favor dos brasileiros, dos italianos ou de outros jogadores de outras nacionalidades, é simplesmente estar a favor do que amamos: o FUTSAL. * "oriundi" - jogadores de ascendência italiana 18.2.05
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Sexta-feira, Fevereiro 18, 2005
by RICARDO SANTOS
Neste espaço de divulgação do Futsal (sobretudo do distrital de Coimbra), venho aqui deixar algumas sugestões que do meu ponto de vista, e provavelmente da maioria dos agentes do Futsal de Coimbra, poderiam melhorar a competitividade e a qualidade do Futsal praticado na I Divisão Distrital. Assim e começo por referir aspectos e factos bem concretos que de certeza não haverá argumentos contra, porque contra factos não há argumentos. Segundo as regras um jogo de Futsal (seniores) deverá ter 40 minutos de tempo útil. Ora, bem na I Distrital isto está longe de acontecer, pois o tempo é feito com base nos 20 minutos e depois a equipa de arbitragem dá os descontos que entender, e é aqui que começa a grande problemática e por vezes pode levantar suspeitas. Começo por referir um jogo que a minha equipa o Belide disputou com o Santa Clara a contar para a 7ª Jornada em 23/10/2004. Com as naturais interrupções a que um jogo destes está sujeito mais uma assistência ao G-R a equipa de arbitragem deu respectivamente 12 minutos de compensação na 1ª parte e 15 minutos na segunda. No jogo disputado com a Académica B, em 11/12/2004, com uma assistência ao G-R, mais os tempos mortos, houve 5 minutos de desconto. Se formos a analisar outros jogos (e peço desculpa se só me refiro aos do Belide, porque não conheço os outros), às vezes dão 4 minutos outras vezes 8 e 9. Pergunto que critério existe para os descontos? Será que de equipa de arbitragem para equipa de arbitragem os critérios são os mesmos? Não creio. Torna-se urgente a nossa Associação de Futebol ou o Conselho de Arbitragem aumentar o número de cronometristas, para evitar estas situações e o jogo não estar dependente destes critérios tão subjectivos. Outro facto do qual não poderá haver argumentos contra é a média de golos que se verifica na 1ª Divisão Distrital. Assim, e são dados concretos (escrevo este artigo em 18/02/2005): 1ª Divisão, média de golos por jogo - 6,98; 2ª Divisão A - 7,79; Série B - 8,07; 3ª Divisão A - 7,78; Série B - 9,2; Série C - 8,12; Série D - 8,04; Divisão de Honra AFC (à 11ª Jornada) - 8,97; 1ª Distrital - 5,91. Elucidativo, não. Poderão dizer que a culpa é da qualidade dos jogadores, não creio, porque como se pode ver é na 3ª Divisão Nacional que o número de golos é maior (a nível nacional) e na Divisão de Honra chega-se à bonita média de quase nove golos por jogo, com 40 minutos úteis. São só três golos por jogo em relação à 1ª Distrital. Se o golo ou os pontos são o "sal" dos desportos colectivos, torna-se urgente que a 1ª Divisão Distrital seja disputada com 40 minutos úteis e não por 50 minuto ou 55 minutos corridos, quando está provado que uma grande percentagem dos golos no Futsal acontecem nos últimos 5 minutos, aumentar o número de cronometrista é necessário, havendo mais golos de certeza haverá mais público, haverá mais incertezas quanto ao resultado final e por ventura haverá melhores espectáculos. Espero que para a próxima época a 1ª Distrital seja disputada com cronometrista, pois na 2ª Divisão de Aveiro (equivalente à nossa 1ª) já têm cronometrista, e porque para a próxima época e não já nesta? Porque não se devem alterar as regras a meio de um campeonato, se ele começou assim, pois que acabe assim, mas repito é urgente a nossa Associação ou Conselho de Arbitragem formarem mais cronometristas. Saudações Futsalistas Fernando Filipe (treinador Belide) 11.1.05
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Terça-feira, Janeiro 11, 2005
by RICARDO SANTOS
Depois de tudo que li e ouvi sobre a selecção sub-19, cheguei á conclusão que apenas se lavou "roupa suja" sem qualquer benefício para a modalidade. O que verifiquei foi que duas pessoas em atrito pessoal quiseram, cada um, culpabilizar o outro sacudindo a sua responsabilidade e não se respeitando principalmente como homens. A responsabilidade é de todos os que estão envolvidos no processo e não o A ou o B. Sair no mesmo dia para o Algarve uns de Lisboa e outros de Coimbra não é própriamente dito a mesma coisa são no mínimo 200 Kilómetros de diferença não contando com a comodidade dos transportes utilizados. De tudo o disseram nenhum na minha opinião tocou no verdadeiro alvo; posso estar enganado mas os maus resultados a nível do Futsal jovem passa por dois factores: 1º.- Não comprendo como é possivel um campeonato de juniores com 14 equipas se disputa em duas séries uma de oito e outra de seis e não se faz um campeonato de uma série unica como Lisboa tem por exemplo. Um campeonato assim teria muito mais competição, haveria muito menos paragens e os atletas tinham outra concentração desportiva e competitiva. 2º.- O Seleccionador: deveria ser um treinador a tempo inteiro com disponibilidade para assistir a todos os jogos em que estivessem envolvidos atletas com a idade desejada e assim serem escolhidos com critério para servir o tipo de jogo que se quer e o torneio que se vai disputar. O nível do curso do treinador não interessa pois não é isso que lhe vai dar competêcia.Pois actualmente muitos jovens não são vistos, alguns são escolhidos pelo nome outros são indicados pelos seus treinadores o que não é muito correcto. Certamente, alguns que ficaram de fora tinham qualidade para representarem a selecção e outros que estiveram presentes se calhar não deviam ir. Queria também deixar uma sugestão: Deveria, antes do início dos campeonatos jovens, haver uma reunião entre a comissão técnica da Associação, Seleccionador e Treinadores dos respectivos clubes afim de se planear a época, como defenir as paragens para torneios e treinos da selecção. Espero que este problema tenha servido para se fazer uma reflexão séria e honesta sobre o que realmente está mal para se poder corrigir e não voltar a aconteçer, assim como passarem a resolver estes ou outros assuntos nos locais próprios e não na praça pública pois quem sem prejudicado é a modalidade. Sem outro assunto me subscrevo muito atencisoamente. João Moura Treinador do C.F.União de Coimbra 31.12.04
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Sexta-feira, Dezembro 31, 2004
by RICARDO SANTOS
Têm estado na ordem do dia os péssimos resultados da Selecção Distrital de Futsal de Sub-19 no Inter-Associações de Futsal organizado pela Federação Portuguesa de Futebol na semana passada. Ao contrário provavelmente de muitas pessoas, a mim não surpreendeu nada os resultados obtidos e que são afinal e apenas a tradução do trabalho que não se faz nas Selecções Distritais de Futsal da Associação de Futebol de Coimbra. Hoje a nossa modalidade (e de propósito não falo em especialidade) não se compadece com falta de organização e estruturas técnicas, organizativas e logísticas capazes de realizarem um trabalho correcto e coerente, que é afinal aquilo que tem acontecido na organização das selecções distritais. Não se procura estabelecer um projecto coerente que em cada época e no decorrer de várias épocas permitam às diferentes selecções aperfeiçoar o trabalho que os jogadores fazem nos clubes e que permita evoluir de ano para ano, tanto do ponto de vista individual como colectivo, o que se fôr feito, potencia melhores resultados. Em cada ano faz-se trabalho casuístico, não se aproveita o trabalho que se faz nos melhores clubes, não se aproveitam modelos de jogo e princípios de jogo trabalhados nos clubes, não se fala sequer, de forma coerente com os responsáveis técnicos desses clubes e jogadores ( e não estou a falar de conversas circunstanciais, mas de reuniões técnicas). Por isso não se pode prever como vão ser as prestações dessas selecções. Num ano podemos ganhar os Torneios e no ano seguinte sermos últimos. Não há automatismos de jogo implementados e muitas vezes nem se dominam nas equipas técnicas constituídas, os princípios fundamentais do futsal. Desta forma ninguém se pode queixar dos resultados. São os que se arranjaram. Cada treinador, melhor ou pior vai ser sempre vítima do sistema implementado, ou melhor da falta dele. É evidente que se colocarem nas Selecções os treinadores mais aptos, podemos melhorar um pouco, alguma coisa, mas senão mudar o sistema de organização e de trabalho destas selecções nada mudará em profundidade. Os treinadores vão passar ano após ano pela responsabilidade das Selecções e vão ser sempre "comidos" pela inexistência de estrutura... E não é necessário inventar muito, basta olhar para o lado e verificar o que fazem algumas Selecções de outros Distritos. De facto não aproveitar uma Selecção de Sub-19 que tem jogadores da Académica que foram finalistas do Nacional de Juvenis de há dois anos; semi-finalistas do Nacional de Juniores do ano passado; jogadores do Vilaverdense que actuam no Nacional de Seniores da 3ª Divisão e jogadores de grande talento que actuam no CS S. João na Divisão de Honra Senior ( um deles inclusivé de Selecção Nacional) parece-me demais, ou seja, parece-me que nos aproximámos do bater no fundo com este 11º lugar em 13 selecções de todo o País. Este trabalho e esta organização não prestigia os jogadores; não prestigia o trabalho que hoje já se faz nos clubes ao nível de 3 ou 4 equipas de juniores do Distrito e não prestigiará certamente uma Associação de Futebol, que obrigatoriamente tem que fazer mais e melhor pelo futsal. Impunham-se a tomada de medidas a este nível. Provavelmente nada mudará e tudo seguirá calmamente, procurando "enterrar" o assunto e esperando que no próximo ano tenhamos mais "sorte". Mais uma vez. Fonte: Weblog Coisas Futsal 4.12.04
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Sábado, Dezembro 04, 2004
by RICARDO SANTOS
Como não podia deixar de ser começo pela participação portuguesa no Campeonato do Mundo. É claro para todos que hoje Portugal é uma das 5 ou 6 selecções mais fortes do Mundo e provou-o nesta competição, perspectivando uma melhor participação no Campeonato da Europa em Fevereiro próximo. É evidente que não temos ainda nem a projecção, nem o dinheiro, nem o número de jogadores e equipas da vizinha Espanha, nem uma Liga Profissional, mas é também evidente que os nossos melhores jogadores estão bem perto do nível dos melhores. Como é isto possível? Fundamentalmente pela aposta de alguns clubes em melhorar as condições de trabalho destes jogadores e dos seus técnicos e pela competência e persistência do Orlando Duarte, João Rocha, Pedro Dias, que encabeçam um grupo de pessoas (ao qual me orgulho pertencer) que têm tentado, na estruturação da modalidade e principalmente na formação de treinadores por todo o País, procurado melhorar a qualidade da intervenção no campo de jogo. É aliás na minha opinião aí que residirá a nossa capacidade de melhorarmos ainda mais o nosso jogo e nos podermos aproximar ainda mais do Brasil, Espanha e Brasil B (Itália). Com um ainda maior diálogo entre treinadores e uma aposta cada vez maior na qualidade dos nossos treinadores, poderemos atingir patamares mais elevados. A realização de maior número de cursos de nível 2 (um a decorrer em Leiria neste momento) e a proximidade (Fevereiro próximo) do início do curso de nível 3, possibilitará estou certo, melhores condições para um salto qualitativo. Infelizmente no que ao nosso Distrito diz respeito, a realidade é distinta. As equipas do Distrito de Coimbra que participam no Campeonato Nacional da 3ª Divisão, com excepção do UD Tocha lutam para não irem parar todas aos Distritais. Ao contrário do que possa parecer, o nível dessa 3ª Divisão, em qualquer das series é menor do que no ano passado (veja-se na serie do Cernache e Vilaverdense o 3º classificado a 1 ponto do primeiro é o Amarense que no ano passado se livrou por pouco de descer aos Distritais de Leiria). Trabalha-se pouco e sobem-se as expectativas em demasiado e depois vêm as desilusões. Melhorar as condições nos clubes e investir mais dinheiro na modalidade é importante, mas o fundamental é trabalhar mais e principalmente melhor no campo de jogo. Hoje a disputa dos campeonatos nacionais exige mais e melhor trabalho e mesmo assim é difícil. O Distrito de Coimbra está a atrasar-se, têm a palavra a Associação de Futebol de Coimbra e todos nós como agentes do futsal. Na Académica-OAF é tempo de eleições. Ganhe quem ganhar espero que cumpram as promessas eleitorais para com o futsal. Já é tempo de à semelhança de clubes com a mesma dimensão ou ainda maior que a da Académica, se apostar de forma verdadeira e justa numa modalidade que é a segunda mais importante do País. Já chega de uma luta do futsal da briosa contra tudo o que são falta de condições para trabalhar, honra seja feita, melhoradas um pouco no último ano. Comparando as condições que temos tido com as condições dos clubes com quem competimos na 2ª Divisão Nacional, alguns com orçamentos de 1ª Divisão, poucas possibilidades teríamos. Mas como trabalhamos muito e parece-me, bem, aí estamos na luta, com 11 pontos em 8 jogos, mas com muitos ainda por conquistar. Nas próximas 3 semanas, jogamos 4 jogos (3 em casa e 1 fora) e se conquistarmos como desejamos e trabalhamos para isso, esses pontos, estou certo, "encostaremos" nos lugares da frente. Mais do que isso importa estabilizar a equipa num lugar tranquilo e depois logo veremos. A equipa "B" aí vai. Com um jogo consolidado, os mais jovens dos seniores seguem isolados na frente de um Campeonato de pouca qualidade e muito pontapé para a frente, o "futsal à inglesa", como lhe chama o Orlando Duarte. Ver as equipas que nos seguem na classificação a atirar bolas para a frente e a defender com unhas e dentes, não permitirá a consolidação do nosso projecto de processo de treino e jogo, nem a evolução dos nossos jogadores. Não sei se ganharemos ou não este Campeonato, tenho essa convicção pessoal, apesar de um respeito absoluto pelos nossos adversários, mas se o fizermos, serão dois anos seguidos a ganhar este Campeonato. Necessitamos que a nossa Associação veja que é justo e coerente a possibilidade desta nossa equipa "B" poder subir à Divisão de Honra, porque isso permitirá a evolução dos jogadores mais jovens da melhor equipa de futsal do Distrito de Coimbra, a Académica, aumentando inclusivé a competitividade na Divisão de Honra. Não ver isso é cegueira absoluta e clubismo demasiado. Fonte: Weblog Coisas Futsal 11.10.04
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Segunda-feira, Outubro 11, 2004
by RICARDO SANTOS
Este desafio que o Ricardo me lançou para falar de "como ser campeão" é subjectivo e difícil de transcrever para o papel, no entanto vou tentar ser o mais sintético possível para não vos saturar. Espero que compreendam que aquilo que aqui escrevo é apenas a minha visão, de uma forma superficial, daquilo que realizei. A minha reentrada no futsal deveu-se ao facto do treinador que o C. S. S. João tinha contratado para a época 01/02 e que tinha tudo planeado incluindo dispensas e aquisições acabou por abandonar o projecto optando por outro, deixando os directores do S. João sem ninguém, foi então que o Sr. Presidente do clube tendo sido informado que eu estava livre me contactou e conseguiu despertar em mim interesse em abraçar o projecto do clube que culminou com o título em 2002/03 e respectiva subida. Mais do que treinar e gerir o plantel tive a difícil missão de escolher o melhor do plantel em 5 unidades e, em seguida, ser permanentemente julgado pelos adeptos que vibram com as vitórias mas não toleram as derrotas. Sem nunca perder o bom senso nem trair as minhas convicções, tentei agradar a gregos e troianos mas raramente o consegui. Acontece que uma equipa não é um grupo de amigos que se juntam para um encontro amigável. O meu maior problema foi treinar e ter de apresentar resultados, durante a época desportiva, na qual vivi pressões constantes. Tornou-se complicado para mim no período do Inverno motivar os atletas para treinar à chuva, ao frio e ao vento, pois não tínhamos pavilhão. Face a esta contingência sou da opinião que esta contrariedade mais uniu o plantel e deu-lhe a força necessária para a união do balneário que depois se traduziu em resultados no campo. A aposta passou por sessões de treino com jogos diversos a criar entrosamento entre todos os atletas e uma identificação maior entre todos os jogadores e eu. Contudo, não foi só isto que nos levou ao êxito mas sim ter tido um relacionamento aberto e desprendido com os jogadores, mantendo ao mesmo tempo a disciplina nos treinos técnicos/tácticos como nos físicos e jogos, nunca perdendo a noção que os atletas antes de serem jogadores são homens, por isso algumas vezes tolerei alguns excessos que afinal não passaram de momentos breves. Antes de cada jogo a escolha dos (13) jogadores que geralmente convocava e depois excluir (1) e ainda ter de optar pelo (5) inicial (sem nunca deixar transparecer nos treinos qual iria ser) era uma tarefa complicada, procurei sempre escolher de acordo com a minha consciência, consoante as características do adversário, que já tinha sido observado e analisado, assim escolhia os meus atletas. Tive algumas vezes de me assumir e ser firme nas decisões contrariando aquilo que directores queriam, mas nesta minha firmeza nunca esqueci quem ficou de fora por motivos técnicos ou disciplinares, (atrasos nas chegadas às concentrações), porque para mim todos os jogadores têm de se sentir possíveis titulares, a mim competia-me respeitar as minhas ideias e gerir as diversas situações. Foi um êxito conseguido que me encheu de muito orgulho, principalmente por aquilo que nos fizeram na época 2001/02, só foi triste que na época 2003/04 não me deixassem continuar esse trabalho. Agora com pavilhão é mais fácil cativar atletas. Na época 03/04 depois da minha saída do S. João fui convidado para orientar a U.D. Tocha que tinha acabado de rescindir contrato com um colega e amigo de longa data. Depois de uma conversa com os directores para saber quais os objectivos que o clube pretendia ficou decidido que o principal seria a subida à 3ª divisão o que me agradou sabendo que o clube possuía condições de treino muito boas. Tive como prioridade conhecer a personalidade dos jogadores, pois tecnicamente já os conhecia bem, depois desse trabalho em que muito contribuiu o meu adjunto (Nini que foi um homem com H) que me deu todas as informações necessárias, passei a trabalhar aquilo em que a equipa se mostrava mais carenciada: 1º mostrar uma liderança forte, 2º mentalizar os atletas que tinham condições para serem campeões para isso trabalhei muito psicologicamente dando uma mentalidade ganhadora que eles precisavam e que, felizmente, assimilaram bem. 3º Nunca cedi a pressões e ajudado pelo Nini estava sempre em cima dos acontecimentos, conseguimos aquilo me tinha sido pedido que era liderar a equipa até ao título apesar das dificuldades que os adversários nos criaram. 4º Além deste trabalho tivemos que trabalhar muito no aspecto táctico que era um dos aspectos mais sensíveis da equipa e que os jogadores menos gostavam de fazer, mas com paciência e consequente motivação pelos resultados que iam aparecendo lá se foi conseguindo atingir as metas propostas. Conseguimos ter também um bónus que foi a conquista da Taça AFC que para mim foi um motivo especial pois já tinha disputado duas finais e tinha sido sempre derrotado mas há 3ª foi de vez. Quero deixar aqui um agradecimento a todos os atletas que comigo trabalharam e que me deram estas vitórias assim como ao meu adjunto (Nini) pois sem o seu empenho tal não era possível, assim como agradecer a todas as equipas pelo seu empenho e desportivismo que patentearam nos jogos realizados com a nossa equipa. Quero deixar aqui um reconhecimento público muito especial ao meu grande amigo NINI (adjunto na U. D. Tocha) desejando-lhe uma grande época desportiva 04/05 como atleta ou como treinador. Para mim foi um privilégio, afinal qual é o treinador que não gostaria de ter conseguido o título de campeão da Divisão Honra em duas épocas consecutivas e por clubes diferentes como eu consegui? Quero deixar aqui um pedido a todos os colegas para que sejamos uma classe mais unida para que haja mais diálogo entre nós não tenham vergonha de falar, os níveis dos treinadores nada querem dizer isso é apenas uma forma de alguns se notabilizarem, todos nós somos humanos e nenhum é dono da verdade. João Moura Treinador do U. Coimbra Bi-campeão da Divisão Honra 20.9.04
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Segunda-feira, Setembro 20, 2004
by RICARDO SANTOS
Espectáculo no Arzignano vs Prato!
A 4 de Setembro, em Arzignano, começou a nova temporada oficial italiana. E para arranque, uma partida melhor que esta, era impossível! Se nos lembrarmos do ano passado, quando a Supertaça foi uma partida sonolenta entre Prato e Lázio, posso garantir que este ano tudo mudou. As previsões desta final tinham um vencedor garantido: o Arzignano. Este clube conquistou o último campeonato italiano. Todos estavam seguros que o Arzignano ia ganhar sem problemas perante o "pobre" Prato, que havia perdido os melhores jogadores e pretende reconstruir uma equipa com jovens. Efectivamente, o Arzignano ganhou, mas sofreu muito! Nada foi fácil, antes pelo contrário. Foi um partidazo e, surpreendentemente, o Prato foi melhor que o Arzignano, chegando às grandes penalidades, onde apenas um erro condenou os pupilos de Jesus Velasco. O Arzignano teve mil dificuldades, porém há igualmente a recordar que jogadores como Vander Carioca (Miró Martorell) e Rodrigo (ECB/São Bernardo) não estiveram disponíveis por falta do certificado internacional e Gabriel só chegará depois do Mundial, em China Taipé. Ao Prato também faltaram alguns jogadores, mas tem o melhor guarda-redes do momento da "Série A": Alexandre Feller. O brasileiro foi mesmo o melhor em campo, juntamente com Caio (guardião do Arzignano). Como já referi, o Prato jogou melhor do que o Arzignano. Os jovens "oriundi" (brasileiros naturalizados italianos) de Jesus Velasco não têm receio de enfrentar quem quer que seja, jogando com muita inteligência. O Prato pode mesmo vir a ser a revelação da nova temporada, depois de todos os terem dado como "mortos". A primeira parte acabou com um empate a um. O Prato abriu o activo por Daniel Viapiana, mas o Arzignano empatou por intermédio do seu "artilheiro" Fabrizio Amoroso. A etapa complementar foi um espectáculo. O Prato jogou num nível altíssimo: rápido e eficaz. O resultado deste "milagre" de Velasco reflectiu-se em dois golos de vantagem: um penalty de Corsini e um golo de puro espectáculo do brasileiro Tilico. Que Prato! Contudo, o Arzignano, que não estava no seu melhor dia, tem verdadeiros craques da modalidade e foram eles que inverteram a partida. Da marca da grande penalidade, muito discutível, Sandrinho reduziu e o empate a três surgiu por Adriano Foglia, depois de uma grande jogada de Sandrinho (campeão do Mundo em Espanha 96, juntamente com o seu companheiro Márcio). Chegados ao final, houve que jogar o prolongamento, tão espectacular como o resto da partida. Tinico marca para o Prato, que parece perto do triunfo final. Porém, assim não foi! O experiente guarda-redes Caio avança no terreno e marca um grande golo, para delírio total do público local. Igualdade a 4, é tempo de grandes penalidades. A partir de então, tudo pode acontecer. Apenas e só um erro - de Alex Strapazzon - condena o Prato e oferece o primeiro título da época ao Arzignano. Mas senhores, que partida! O futsal é isto: ESPECTÁCULO PURO. E é por isto que somos loucos pelo futsal. Luca Ranocchiari www.futsalplanet.com Roma - Itália FICHA DE JOGO Supertaça Italiana 2004/2005 4/Setembro/2004 20.30 Recinto: PalaTezze,Arzignano (Itália) Arzignano Grifo - Prato c/5 9-8 (pen) - (4-4; 3-3; 1-1) ARZIGNANO GRIFO: Caio, Luciano, Pozza, Panciera, Marcio, Bachega, Sandrinho, Amoroso, Foglia, Dobrosayljevic, Bragaglia Treinador: Lucio Solazzi PRATO: Alexandre, De Assis, Busato, Viapiana, Alex, Restivo, Corsini, Schurtz, Tilico, Gusso, Martino Coach: Jesus Velasco Marcadores: 8' Viapiana (0-1) 11' Amoroso (1-1) 22' Corsini (pen) (1-2) 28' Tilico (1-3) 29' Sandrinho (pen) (2-3) 30' Foglia (3-3) 47' Tilico (3-4) 49' Caio (4-4) Penalties: Corsini - GOAL (4-5) Marcio - GOAL (5-5) Alex - SAVED (5-5) Luciano - GOAL (6-5) Viapiana - GOAL (6-6) Foglia - GOAL (7-6) Shurtz - GOAL (7-7) Sandrinho - GOAL (8-7) Alexandre - GOAL (8-8) Caio - GOAL (9-8) Árbitros: Scatena e Del Tutto Cartões Amarelos: Schurtz, Feller, Viapiana (P), Amoroso (A) Assistências: 1000 Vencedor da Supertaça Italiana: Arzignano Grifo 15.9.04
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Quarta-feira, Setembro 15, 2004
by RICARDO SANTOS
- O que é profissionalismo? O profissionalismo está, directamente, relacionado com o trabalho. São compromissos, são obrigações como profissionais de futsal que temos, como teríamos em qualquer outra empresa. O cumprimento dos horários, o planeamento dos trabalhos. Relativamente aos jogadores, eles têm de ser profissionais nas atitudes. Ou seja, devem ter consciência das regras que são necessárias para que se tenha uma vida saudável, uma vida regrada. Não é o facto de se treinar duas vezes por dia que torna um atleta profissional. Tem de se ser profissional a partir dos hábitos que se criam. Uma das coisas que gera polémica no futsal português é que se dizem profissionais por receber ordenados como tal e pelo facto de treinarem duas vezes por dia. Para que as coisas funcionem, toda a estrutura tem de ser profissional. Todas as pessoas têm de se dedicar inteiramente àquele trabalho. Os directores preocupam-se com a logística, os treinadores com a execução dos trabalhos de treino técnico/táctico/físico, os técnicos de equipamentos têm de colocar todos os materiais necessários à disposição, o departamento médico preocupa-se com a fisioterapia preventiva, com a fisioterapia de recuperação e com a parte nutricional, quando não há nutricionistas. Neste aspecto, há falhas graves na nutrição dos atletas. São poucos os que têm cuidado com a alimentação. Isto é muito importante dentro do contexto profissional. Todos têm de ser moldados para o trabalho para que haja sucesso. - Como está em Portugal? Opinando pela minha realidade que é o Benfica, temos de nos concentrar única e exclusivamente no trabalho para não aparecerem "furos". Terá de aparecer toda uma estrutura profissionalizada que permita considerar um clube profissional. Em Portugal, o grande problema, a grande questão reside na formação dos dirigentes, dos elementos das equipas técnicas e dos jogadores. Se houver uma formação desportiva, o trabalho será muito facilitado, pois todos sabem o que é importante. Há que saber a forma de estar no futsal. Um dos maiores problemas é a falta de cultura desportiva. - Comparação com o Brasil No Brasil, para se trabalhar como treinador profissional de futsal, há que ter uma formação académica em Educação Física. Todas as pessoas envolvidas num clube são profissionais. A nível das equipas técnicas surgem, para além dos técnicos profissionais, estagiários de Educação Física cedidos pelas Universidades para trabalharem na formação. As crianças vão aprender uma base, uma formação desportiva, uma cultura desportiva acima do que se verifica cá em Portugal. Porquê? Porque as pessoas que trabalham com elas já têm toda essa formação das universidades e transmitem para elas. As pessoas que estão à frente dos escalões de formação já sabem o que hão-de fazer com as crianças. Quando adultas, estas sabem o quão importante é ter uma vida regrada, uma vida saudável. Dão importância ao repouso depois do trabalho e têm noção exacta do trabalho a realizar em cada sessão de treinos. Na formação em Portugal, há demasiadas pessoas envolvidas que não têm especialização alguma. Não é o que se aprende num curso de Nível 1 que se vai conseguir trabalhar em metodologias científicas de treino, daí que por vezes se vejam aberrações que fazem às crianças sem terem noção do que realmente está correcto. - Implementar profissionalismo em Portugal Para que todas as equipas fiquem profissionais, há que fazer o que disse relativamente à comparação com o Brasil. Há que apostar em profissionais capazes, ir às universidades buscar estagiários capacitados para desenvolver tarefas nos escalões de formação, sempre com um coordenador, supervisionando todos os trabalhos ao mínimo detalhe. Depois, aos poucos, consciencializar os directores para a importância de um trabalho profissional na estrutura de um clube. Há pessoas com cursos na área de gestão desportiva, que podem estar numa direcção. Há a possibilidade de criar convénios com Universidades, para chamar jovens profissionais de Educação Física para a formação. - Finanças na questão profissional A parte financeira é fundamental dentro de todo o esquema de profissionalismo. Há que ter pessoas que se dediquem inteiramente àquela causa, mas sem nunca esquecer que aquela actividade é o seu meio de subsistência. Se os clubes não têm condições de dar às pessoas o retorno financeiro, a implementação do profissionalismo fica mais complicado. Então, os clubes têm de desenvolver projectos de marketing para ter dinheiro disponível e assim manter a estrutura. Há igualmente que saber vender/explorar a imagem do clube, para ter conseguir fundos e manter profissionais de qualidade ao seu serviço. As lacunas começam, quando não há dinheiro. Assim, o clube tem de criar mecanismos para dispor de verbas. Depois de as ter, há que contratar pessoas especializadas dentro de cada sector de trabalho. - Obrigações de quem é profissional No meu ponto de vista, as obrigações partem dos regulamentos das próprias empresas. No fustal não é diferente. No Benfica temos um regulamento interno com vários tópicos importantes. A principal regra é todos cumprirem com as normas da empresa. Não nos podemos preocupar só com as quatro horas de treino, há que cuidar da imagem, ter cuidados com a alimentação, com o repouso entre outros aspectos fundamentais. A dimensão de um clube como o Benfica é impressionante. Nas deslocações que fazemos vêm inúmeros miúdos pedir autógrafos, conversar connosco. Eles têm nos jogadores uma imagem, espelham-se neles, pois eles são os seus ídolos. Em Bragança foi demais. Sempre havia gente a ver treinos, pedir autógrafos, fotos, então há que saber conviver com isso. Tudo isso faz parte de um profissional, não é só jogar a bola, há que dar exemplos. Um abraço a todos, Adil Amarante Treinador do Sport Lisboa e Benfica
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Quarta-feira, Setembro 15, 2004
by RICARDO SANTOS
Investimento a médio/longo prazo
Quando o Ricardo Santos me pediu para colaborar com um artigo de opinião para a sua blog, não hesitei, primeiro, por ser uma oportunidade de manifestar a minha opinião, e segundo por ser para um amigo que tem realizado um excelente trabalho em prol da nossa modalidade, e não só. Assim, gostaria de opinar sobre um assunto que me é muito caro, a formação desportiva, e em particular a formação no futsal. 1º - Quando falamos em formação devemos ter a noção clara do que se trata, isto é, a formação é o acto, efeito ou modo de formar, que por sua vez, consiste em dar forma a, conceber: formar um projecto; instruir, educar amoldar: formar o espírito. De acordo com estas definições, entendo a formação no futsal como sendo : Parece-me que esta noção, na maioria das vezes, está pouco esclarecida, ou pior, é desconhecida e/ou desvalorizada por parte dos agentes desportivos, RESPONSÁVEIS pela mesma. 2º - A formação no futsal não deve nem pode ser entendida em sentido estrito, mas sim em sentido lato, isto é, o processo de formação envolve diversos recursos, dado que, uma boa ou má formação desportiva depende de uma boa ou má gestão desportiva (Planear, organizar, dirigir e controlar), assim: a) Recursos Humanos: É fundamental ter as pessoas certas nos lugares certos e nos locais certos, isto é, em qualquer projecto é necessário assegurar a competência das pessoas/profissionais que possam garantir o sucesso do mesmo; b) Recursos Financeiros: É, sem dúvida um dos factores que condiciona e influencia de forma significativa qualquer projecto; c) Recursos materiais: Prende-se fundamentalmente com as condições que devem ser disponibilizadas para o bom funcionamento das actividades, ou seja, pavilhão, bolas, coletes, etc... Todos os recursos são importantes, mas por vezes uns conseguem compensar os outros, isto é, à primeira vista os recursos financeiros pelo seu peso, serão aqueles que mais influência tem num determinado projecto. Mas, quer dizer-vos por experiência própria e pelo facto de estar envolvido num projecto ambicioso, mas realista, conhecido por Projecto Futsal XXI da AAC-OAF, que existe sempre uma excepção à regra. De facto, o dinheiro é fundamental, mas mais importante, são as pessoas, porque são as pessoas que fazem a diferença, são as pessoas que com o seu carácter, responsabilidade, empenho, sacrifício, competência, lealdade, liderança, conseguem dar corpo e conseguem criar uma determinada imagem de um projecto, compensando e ultrapassando qualquer dificuldade que se lhe deparem. Neste momento, essas pessoas trabalham todos os dias para que este projecto chegue a bom porto, e aproveito para manifestar-lhe todo o meu apreço e reconhecimento por aquilo que tem feito até hoje. Falando das pessoas, muitas vezes apenas recai sobre os agentes desportivos (treinadores, directores, enfermeiros, massagistas, etc...), toda a responsabilidade pela formação da criança/adolescente, esquecendo-nos do papel dos Pais que se revela, nesta fase tão ou mais importante para a sua realização. A formação desportiva deve ser acompanhada por uma educação adequada que só os Pais lhes podem facultar. Esse aspecto, geralmente, influencia grandemente a qualidade da formação da criança/adolescente, havendo por vezes a necessidade de um trabalho de equipa entre os Pais e o Treinador (enquanto pedagogo). 3º - Sou defensor que o processo de preparação de um jovem não deve dirigir-se para um estado de especialização prematura; mas sim, para uma preparação planeada e sistematizada racionalmente, em harmonia com o processo de desenvolvimento da criança/adolescente. Antes de atingir as acções colectivas completas e um sistema de jogo bem definido, os jovens praticantes devem conhecer a maior parte dos princípios básicos do jogo, tanto no plano ofensivo como no defensivo, isto é as etapas iniciais constituem a formação e a preparação para futuro, e o treino e a competição os meios dessa formação e não as formas de obtenção de rendimentos imediatos. O Processo de ensino/aprendizagem deve adoptar uma metodologia fundamentada na apropriação consciente e racional das situações propostas favorecendo a criatividade; deve-se perfilhar uma linha de acção que leve o praticante à aquisição de "aptidões de decisão" que lhe permita "escolher para agir" em diferentes ocasiões, equacionando e seleccionando as acções adequadas no decorrer do jogo. Em jeito de conclusão, a formação das nossas crianças/adolescentes não pode ser tratada com ligeireza e muito menos com facilitismos, mas ao invés devemos pauta-la por elevados níveis de competência e rigor. Deve ser encarada pelos nossos dirigentes como um investimento para o futuro (médio/longo prazo) e não como uma obtenção de resultados imediatos e efémeros. Mas também é preciso dizer que normalmente, onde existe qualidade e condições mínimas de trabalho, os resultados sempre aparecem, a formação da AAC-OAF é disso um exemplo, que na minha humilde opinião deve ser seguido. Uma boa formação depende decisivamente da competência de quem a dirige, daí defender a formação contínua dos treinadores responsáveis por esta árdua tarefa, e da selecção criteriosa por parte dos dirigentes em profissionais que lhes possa dar alguma garantia quanto ao trabalho que irá ser desenvolvido com aquele jovem, que um dia apareceu com o pai ou a mãe, e que gostava de "jogar à bola". Para todos os treinadores das camadas jovens, um abraço e votos de uma boa época desportiva. Arlindo Matos arlindomatos@sapo.pt Treinador Futsal Nível 1 Coordenador da Formação da AAC-OAF 12.9.04
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Domingo, Setembro 12, 2004
by RICARDO SANTOS
RENASCER DAS CINZAS
Solicitou-me o Ricardo Santos que escrevesse um artigo de opinião sobre o projecto do futsal da AAC e do projecto que coordeno desde as últimas dez jornadas da época 2002-2003. Mas para falar do projecto, do sucesso da última época, que recolocou a Académica na 2ª Divisão Nacional torna-se imperioso falar do que era a Académica quando chegámos. Era uma Académica que ia fechar as portas, com 5 jogadores da equipa sénior, 15 jogadores dos juniores do futebol de 11 para escolher alguns para terminar a época e 7/8 jogadores da equipa de futsal júnior. A equipa, comigo, já ia no terceiro treinador nessa época e alguns dos principais jogadores do plantel tinham deixado de jogar. Era uma equipa sem auto-estima e a maior parte dos jogadores tinham várias expulsões ao longo da época, numa equipa que se pautava pela indisciplina e que nas suas últimas duas épocas, salvo erro, lutou para não descer até à última jornada. Os directores, apesar da sua boa-vontade e persistência em levar o "barco a bom porto" não sabiam como e diziam-me que o melhor era mandar a maior parte dos jogadores embora e ir buscar outros. Tínhamos uma equipa desfeita e indisciplinada. Quando no final desta época felizmente de sucesso, vejo algumas pessoas que por cá passaram, colocarem-se em bicos dos pés para dizer que tiveram alguma coisa a ver com o que esta equipa fez esta época, farto-me de rir, já que apenas encontrámos um grupo de jogadores que de equipa nada tinha, sem modelo de jogo, sem muitos deles dominarem os princípios fundamentais do jogo. Jogavam como saía e a mais não eram obrigados. Esta era a realidade, nua e crua, doa a quem doer. Custe ouvir a quem custar. Acredito no trabalho e na minha capacidade e da minha equipa técnica, mas não somos milagreiros. Doze pontos em vinte jogos eram o que havia quando entrámos. Fizemos salvo erro vinte e dois pontos nos dez jogos que faltavam. Com essa média no resto da época a Académica teria subido à 1ª Divisão. Não foi suficiente, mas ganhámos o embrião de uma equipa e a nova época começou logo aí a ser preparada, já que nos mantivemos a treinar e a ganhar tempo até Julho. O jogo com o Sporting de final de época (em que perdemos por 3-1) deu-nos indicações que estávamos no bom caminho. Sabia que era arriscado vir para a Académica naquela altura, como foi, mas também sei que esta Académica tem potencial humano, que com a persistência e a capacidade da equipa técnica poderíamos dar a volta. Liderança, disciplina, organização, trabalho e competência foram os parâmetros introduzidos. Acreditámos nos jogadores que tínhamos, nos que quiseram voltar e acreditar no projecto, nos que tinham subido dos juniores, nos que fomos buscar aos distritais ou em jogadores que já conhecíamos. Com todos, equipa técnica (treinadores e massagista), dirigentes que resistiram, seccionistas e jogadores, formámos uma equipa no verdadeiro sentido da palavra. Ao longo deste tempo, habituei-me a respeitar a competência do Rogério, o esforço do Júlio e do Simões, a competência dos meus colegas treinadores, Arlindo, Hugo, Paula, Victor, Sol e Felipe, recentemente reforçados pelo Bruno, Albano e João Simões. Habituei-me a ver para além dos problemas, o esforço dos dirigentes, Artur Cordeiro, Fernando Freire e Miguel Fonseca para tentarem resolver problemas. A Académica cumpriu escrupulosamente as suas obrigações para com os seus praticantes e isso nos dias de hoje é importante. Dá credibilidade. Habituei-me a ver e a respeitar (mesmo quando não concordam com as opções do treinador) um pequeno grupo de amantes do futsal da Académica, desculpem-me os restantes, encabeçados pelo Ladeira. Pelo meio ficaram problemas e conflitos que resolvemos e demos a cara. Na Académica tem que existir competência para que todos acreditem no projecto. As equipas não podem estar entregues a gente sem qualificação. Nem todos cabiam neste trabalho e nunca estiveram em causa as pessoas em si, mas sim a sua competência para a função, fossem dirigentes, treinadores ou jogadores. Estamos a meio de um projecto e disponíveis para o levar até ao fim. Com as pessoas em que acreditamos. Hoje somos todos de facto uma verdadeira EQUIPA, onde emerge um conjunto fantástico de jogadores com os quais me dá um prazer imenso trabalhar e a quem eu auguro para alguns um futuro brilhante no futsal nacional. De uma coisa eu estou certo. No dia em que sair da Académica sairei de consciência tranquila. A Académica tem mais de vinte jogadores nos seniores, com bom nível e com uma média de idades de 22 anos. Tem talentos em crescimento nos escalões de formação e equipas em todos os escalões. Os jogadores da Académica dominam os princípios do jogo, existe um modelo de jogo determinado e foi recuperada a auto-estima de toda a gente. Hoje é atraente jogar na Académica e foi recuperado o estatuto de clube mais representativo do Distrito de Coimbra. Está na Associação Académica de Coimbra provavelmente a equipa técnica mais qualificada da região, ambiciosa e competente. Gente mais ou menos jovem, dez treinadores com formação específica ou licenciados em educação física ou ambas as coisas, garantem o futuro do projecto. Saibam estimá-los, respeitá-los e dar-lhes condições de trabalho, minímas, que não somos muito exigentes. È na Académica que um conjunto de pessoas ocupa o seu tempo livre e o que não tem livre, de segunda a domingo, dezenas de horas por semana, milhares por ano. È a nossa segunda casa, às vezes a primeira, tal o tempo que lhe dedicamos. Fazemo-lo, equipa técnica, dirigentes e jogadores na sua maioria, a troco de uma palmada nas costas que muitas vezes nem surge, mas lá continuamos todos os dias. Porque gostamos do futsal e da Académica. Por que somos todos um pouco loucos. Porque acreditamos em nós e no trabalho que somos capazes de fazer. Enquanto nos deixarem e se nos deixarem sabemos que alcançaremos as nossas metas. E os únicos que nos podem parar estão dentro de nós. Os nossos adversários da região não nos preocupam. Que sejam muito felizes. Que se preocupem com o seu trabalho e não com o nosso. Se necessitarem de ajuda que não colida com os interesses da Académica, estaremos sempre disponíveis para ajudar. Só a evolução dos outros nos fará também mais fortes. O Projecto, como lhe chamam, são todas as pessoas que estão na Académica e aquelas que a nós se quiserem juntar e demonstrem competência para isso. São as pessoas que fazem a diferença, de preferência pessoas competentes. Os projectos, são assim pessoas que de forma organizada, trabalham para objectivos e metas comuns. É assim na Académica e em qualquer lado. Por isso mesmo o Projecto que fez a Académica renascer das cinzas tem rostos, nomes e como numa família existem problemas, conflitos, diferenças de opinião. Mas todos sabemos para onde queremos ir e por isso somos solidários entre todos, qualquer que seja o papel que cada um desempenhe. Uma equipa afinal à qual me orgulho em pertencer. Quando afinal o Ricardo me pediu para contar o segredo do Projecto Académica, ri-me outra vez, é que ele ainda não percebeu que também ele de forma indirecta pelo seu trabalho de divulgação do futsal, tem contribuído para o seu sucesso. TRABALHO-LIDERANÇA-DISCIPLINA-ORGANIZAÇÃO-COMPETÊNCIA, é este o segredo da Académica. Ao alcance de todos aqueles que se dediquem tanto como nós. Um grande abraço para a família do futsal, mesmo para aqueles que de vez em quando tentam denegrir a minha imagem e o meu trabalho. Também eles contribuem para nos tornarmos mais fortes e mais coesos e para me fazerem perceber que vamos conseguindo transformar alguma coisa. Senão fizéssemos nada, não se preocupariam connosco. BOA ÉPOCA PARA TODOS! Francisco Batista Director-Técnico do Futsal da Associação Académica de Coimbra 10.9.04
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Sexta-feira, Setembro 10, 2004
by RICARDO SANTOS
ACTOS E MENTALIDADES
Uma semana após ter inaugurado este espaço, com o artigo do treinador Fernando Filipe, venho expressar a minha humilde opinião relativamente ao futsal conimbricense. Muitas seriam as "estórias" que poderia contar, após 10 anos ligado ao ¿nosso¿ futsal, mas apenas tenho vontade de expressar contentamentos e desagrados recentes. É com natural gosto e "amor ao futsal" que enveredei pelo jornalismo desportivo mais ligado a esta modalidade que tanto terá de caminhar para certificar o seu espaço junto do panorama do desporto português. Coimbra está no centro do país, mas há muito afastada dos grandes palcos do futsal nacional. Académica, Real Conchada e Vilaverdense (por ordem alfabética) estiveram ao mais alto nível, mas, progressivamente, foram caindo até à III divisão. O mesmo com muitas das equipas de Coimbra que já estiveram na II divisão e não conseguiram firmar-se. Na minha opinião, muito do que se passou deveu-se à falta de condições mentais e não só devido à falta de apoio financeiro. Obviamente, que no actual panorama do futsal português, europeu e mundial quem não tem dinheiro, não está no topo. As grandes metrópoles concentram uma grande parte dos patrocinadores e isso, naturalmente, condiciona os investimentos dos "centristas". Infelizmente, muitas são as pessoas que colocam os seus interesses pessoais à frente dos institucionais. De que serve ter um treinador bom, ter jogadores de qualidade (sendo esta muito subjectiva para analisar), se falta uma estrutura forte para elevar equipas ao sucesso!? Curiosamente, as maiores críticas surgem a nível distrital, onde personagens gostam de se colocar em ênfase, dando ao clube a imagem que ele transmite, muitas vezes sem ter consciência do prejuízo que pode implicar desportivamente. Num olhar menos negros, ninguém passou indiferente à excelente prestação que as equipas coimbrãs obtiveram no último nacional da III divisão - Série B. Apenas o S. João não conseguiu a permanência, mas a Académica brilhou na caminhada de regresso à II nacional. Real Conchada (fez um excelente 3º posto), Vilaverdense, U. Chelo e Cernache garantiram uma presença no mesmo escalão para 2004/05, aos quais se juntará a UD Tocha. Não me alongo mais nesta minha crítica opinativa. Apenas desejo que todos tenham muita sorte, independentemente dos feitios que apresentem. Contudo, que triunfem os trabalhadores, honestos e desportivamente correctos, pois como já alguém disse: "campeões não são só aqueles que terminam no primeiro lugar, mas antes aqueles que atingem os seus objectivos". Saudações Desportivas Ricardo Santos Bacharel em Comunicação Social - E.S.E.C. Colaborador desporto Diário Coimbra Colaborador Folha de Santa Clara 5.9.04
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Domingo, Setembro 05, 2004
by RICARDO SANTOS
O meu ponto de vista
Está a iniciar-se mais uma época, mais um ano de trabalho, de alegrias (para uns) e de tristezas (para outros), assim será no mundo do desporto, para todo o sempre. Mas a qualidade de um trabalho, independentemente das alegrias ou tristezas, pode ser bem proveitosa, ou não. Assim, e sobretudo nas camadas de formação, o trabalho pode ser bem positivo sem se ter resultados, sobretudo nesta fase não se pode, não se deve exigir resultados desportivos (até aos juvenis, pois nos juniores já se deve exigir alguns resultados como forma de os preparar para a pressão dos seniores), deve-se acima de tudo apresentar a formação de um jogador e de um futuro homem adulto. E isto porquê? Quando a época 2003/2004 começou e iniciei o meu percurso como Treinador de Futsal, a primeira pergunta que fiz, foi: quem esteve nas camadas jovens? Alguns jogadores disseram-me que sim outros que eu conhecia e sabia que vinham do Futebol, disseram que não, etc¿ Quando os jogos de preparação e o campeonato começaram, logo verifiquei que o que lhes tinham pedido e feito nas camadas jovens era que houvesse resultados, pois quando um júnior chega aos seniores e não se sabe movimentar dentro do campo, não sabe ocupar o espaço, quando não está preparado e não tem paciência nem concentração para as jogadas estudadas, muitas vezes com dificuldades a nível técnico, eu pergunto: o que andaram a fazer nas camadas jovens estes jogadores? Por isso aqui fica a minha opinião e o meu pedido a todos os quantos trabalham nas camadas jovens e sobretudo a dirigentes, que ponham gente qualificada a treinar os seus jovens, que lhes ensinem os princípios básicos do jogo, que lhes ensinem que as vitórias quando são conquistadas com trabalho, esforço e dedicação, são muito mais saborosas que aquelas que são conquistadas com batota, que lhes ensinem a serem homens, a respeitar o adversário, o árbitro e os colegas de equipa. Para as equipas que têm o topo da pirâmide (seniores), então as camadas jovens devem servir para ¿alimentar¿ a equipa principal, definir um estilo ou sistema de jogo para os seniores e nas camadas jovens aperfeiçoar esse sistema, mas que passe por outros sistema para que o jovem quando chega aos seniores saiba atacar bem, contra-atacar bem e defender aos 10metros, 20metros, 30metros¿ tudo dependendo do sistema e táctica que a equipa utiliza no decorrer de um jogo. Resumindo: Camadas Jovens é sobretudo para ensinar os princípios básicos do jogo, prepará-los para jogarem em qualquer sistema táctico (sobretudo pelo que é utilizado na equipa de seniores) e também para formar os jovens para a vida adulta, para que estes respeitem todos os intervenientes no jogo, incluídas estão as próprias pessoas do clube. Estou certo que com estas dicas e sugestões, daqui por uns anos os que ainda não fizeram isto terão a recompensa do seu trabalho. Saudações desportivas Fernando Filipe Treinador: Belide Nível 1 3.9.04
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